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Homilia na Missa Crismal

«Alegrai-vos pelo nosso presbitério»

PFM | 08/04/2013 10:04
Homilia na Missa Crismal

 

Jesus em Nazaré, ao dizer «cumpriu-se o que acabais de ouvir», revela-Se o Messias, que realiza a salvação anunciada por Isaías na primeira leitura. Messias Deus que se faz próximo por amor para salvar o homem do pecado da recusa de Deus, raiz última de todo o mal: da mentira, do ódio, da injustiça ou da opressão... 

Além d’Ele, não há outro Salvador no Céu e na Terra. Por isso, quem procura a salvação é a Ele que busca mesmo sem saber. E quem busca a salvação longe d’Ele deve ser ajudado a encontrar-Se com Jesus. Temos de pregar que Cristo não é inimigo do homem, da razão, da técnica, da ciência e da felicidade humana. Pelo contrário, responde à sede de vida, de amor e de liberdade do coração humano. Contemplando o nosso Salvador, abramos-Lhe o coração e cantemos eternamente a bondade do Senhor. 

Jesus, em Nazaré, não fez milagres porque os vizinhos não acreditaram que era o Messias. É pela fé viva, nascida da escuta interior e amiga da Palavra divina, que se acolhe Jesus. Sem fé pode ver-se a Igreja como grande organização mas não se entra na sua dimensão divina. A fé na vida cristã é essencial. Por isso, Jesus dizia a quem Lhe pedia a cura: tu, crês? E a Igreja também pergunta: crês em Deus Pai, Filho e Espírito Santo? 

Cultivar a fé é um imperativo porque há milhões de batizados sem fé; porque a entrega da fé – a quem pede o Batismo – é difícil apesar do nosso esforço do plano pastoral da “iniciação cristã atraente e exigente”; porque muitos fiéis, embora bons, precisam de amadurecer e de purificar a fé em Cristo. Foi por isto que Bento XVI decretou o “Ano da Fé”, que recebemos bem e que deve criar em todos nós o desejo de cuidar melhor a fé que gera a esperança, a caridade e a comunhão.

Passar a porta da fé é graça e desafio sem fim. Quanto mais se vive, mais encanta! É esta fé que nos reúne, aqui! Por ela, cantamos a Deus que nos dá tão grande dom e tesouro e pedimos-Lhe luz e coragem para crescer na fé pela conversão sincera e a oração, pela caridade atenta e a lectio divina, pela Eucaristia e a Penitência, pelo conhecimento do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica. Sejamos corajosos no seguimento de Jesus até derramar o sangue por Ele.

4. A Igreja – como Jesus em Nazaré – tem a bela missão de dar Cristo ao mundo: às pessoas, estruturas e cultura. Tudo nela deve revelar o Amor de Deus. Amor que se mostra com palavras e gestos, como fez Jesus, e pela atenção sincera de cada comunidade e de cada fiel às pessoas que sofrem. Sem isso, como poderia alguém crer no amor de Deus? O amor dos pobres pede que sejamos pobres e amigos dos pobres, disse o Papa e pede que organizemos as comunidades para servirem bem o amor divino. Só então, a pessoa, vendo que Deus a ama através de nós, será atraída à fé, na sua liberdade, como um dos dez leprosos curados por Jesus, seguindo-O na fé e na comunhão da Igreja.

O cristão, no seu amor, é o rosto de Deus-Amor. Pelo Batismo é reino de sacerdotes e povo sacerdotal para anunciar as maravilhas de Deus! Onde está um batizado, Jesus pode dizer, como disse em Nazaré, hoje chegou aqui a salvação. Temos consciência, e vivemo-la, de ser sinal vivo do amor de Deus pelos pobres de pobreza corporal ou de pobreza espiritual?

Cantemos a Deus Pai que conta connosco para Se revelar à humanidade e peçamos-Lhe vida santa para que as pessoas no contacto connosco se apercebam de que Deus as ama!

5. O sacerdócio batismal – glória da Igreja – é possível porque Jesus criou o sacerdócio ministerial para o alimentar, diz o Vaticano II. “Os padres, chamados ao serviço do Povo de Deus, como cooperadores da ordem episcopal e seus auxiliares organicamente unidos, formam com o bispo um único presbitério, ao qual são confiadas diversas funções”. Embora “dependam dos bispos estão-lhes unidos na dignidade sacerdotal comum e, pelo sacramento da Ordem, ficam ungidos para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como sacerdotes verdadeiros do novo testamento, à imagem de Cristo sumo e eterno sacerdote”.

Por isso, a nossa Igreja canta a Deus pelo sacerdócio ordenado, aqui reunido com o seu bispo, para renovar as promessas sacerdotais, num gesto rico de amor e de esperança.

Caros fiéis, alegrai-vos pelo nosso presbitério. Vede nele o Bom Pastor a cuidar de vós nos vários recantos da Diocese e edificar a Igreja para levar a luz de Cristo à Península e aos povos. Rezai pelos sacerdotes, pois que o padre convosco é cristão, chamado à santidade, e para vós é pastor, chamado a tornar-se pastor ao jeito de Jesus: pastor compassivo, próximo, paciente, pobre e amigo dos pobres, fonte de verdade, de comunhão e de esperança mesmo na noite escura. Pedi aos sacerdotes que vos conduzam à santidade como os óleos que vamos consagrar anunciam. Perdoai nossas infidelidades. E, rezando, com fervor, pelas vocações sacerdotais, falai aos jovens da beleza e atualidade do sacerdócio ordenado!

E vós, caros sacerdotes, contemplando o Crucificado-Ressuscitado, crescei na intimidade do Seu amor; crescei na comunhão do presbitério e na arte de ser pastor como os homens precisam; crescei na capacidade de ver e amar Jesus no gemido ou pedido de ajuda da pessoa que sofre.

Termino cantando a Deus, caros padres, pelo vosso zelo pastoral e pedindo a Deus Pai que vos ilumine com o Seu Espírito para apreciardes bem, com os fiéis leigos, que o sacerdócio comum e o sacerdócio ordenado se enriquecem, como diz o Concílio: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico são diferentes um do outro na sua essência e não apenas em grau; mas ordenam-se um para o outro; com efeito, um e outro participam do sacerdócio único de Cristo, cada um segundo o seu modo peculiar. O sacerdote ministerial, pelo poder sagrado em que é investido, forma e governa o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico na pessoa de Cristo, e oferece-o a Deus em nome de todo o povo; enquanto, por seu lado, todos os outros fiéis concorrem para a oblação da Eucaristia, pelo seu sacerdócio régio, que exercem também na celebração dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, pela abnegação e por uma caridade atuante”.

Que Nossa Senhora nesta bela Eucaristia nos ajude a acolher na fé a Jesus que, hoje, de forma especial nos visita para sermos capazes de O dar, como Ela, ao mundo desejoso de salvação.

 

+ Gilberto, Bispo de SetúbalSé, 28 de Março de 2013

 

 

 

 

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