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Marcelo Rebelo de Sousa destacou D. Manuel Martins como figura que «corporizou sem limite» a atenção pelos «pobres e injustiçados»

Presidente da República participou na Missa de sétimo dia de D. Manuel Martins

AFPS | 02/10/2017 12:10
O presidente da República Portuguesa participou na Missa de sétimo dia do falecimento de D. Manuel Martins, e destacou a homenagem justa à obra deixada pelo antigo bispo de Setúbal.

“Foram muitos anos, praticamente um quarto de século, com a dificuldade que é erguer uma diocese de novo, no meio de uma revolução, depois com graves crises económicas e sociais por que passou o país e a diocese. E pode dizer-se que tudo coube naquilo que foi a obra do senhor D. Manuel Martins”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas.

A Missa de sétimo dia em sufrágio por D. Manuel Martins teve lugar numa Catedral de Setúbal completamente cheia.

“É impressionante ver esta gratidão”, reconheceu Marcelo Rebelo de Sousa, em alusão à presença na celebração de representantes de todos os quadrantes de Setúbal, “instituições, diocesanos, autarcas, representantes do poder local e da sociedade civil”.

D. Manuel da Silva Martins faleceu aos 90 anos, depois de mais de quatro décadas dedicadas à diocese sadina, primeiro como bispo (1975 – 1998) e depois como bispo emérito.

Na sua obra sobressai a preocupação pelos mais pobres, numa zona com uma grande taxa de desemprego, e pela dignidade de todas as pessoas.

Um legado que Marcelo Rebelo de Sousa considera ter muito a dizer à sociedade atual, incluindo ao poder político.

 “Ele levou até onde era possível levar a mensagem do Vaticano II, uma Igreja serva e pobre, ao serviço dos pobres, dos mais explorados, oprimidos, injustiçados, com disponibilidade, abertura, até com uma entrega física que ele corporizou sem limite. E isso é uma mensagem que vale para a Igreja e vale para todos os que têm responsabilidades”, reconheceu o presidente da República.

Sobre esta questão também se referiu o atual secretário de Estado da Educação, João Costa, natural da região de Setúbal.

Para aquele responsável, a morte de D. Manuel Martins significou a perda de uma “referência para a diocese, para o distrito de Setúbal, para o país” mas também a perda de uma “referência” a nível “pessoal”, também no plano político.

“Com ele aprendi que toda a ação política é serviço, e é serviço aos outros. Qualquer ação política que não seja para a construção de uma sociedade mais justa, em que a igualdade é princípio, em que o serviço aos outros é ponto de partida e ponto de chegada é uma ação política equivocada. E independentemente de estarmos a falar de um bispo, estamos a falar de um cidadão que acordou muita gente para essa missão”, frisou João Costa.

O secretário de Estado da Educação lembrou também o exemplo que a vida de D. Manuel Martins constituiu para os mais novos, pelas suas convicções sociais e de fé.

“É uma das pessoas que me ajudou a crescer, como cidadão, como cristão, mas sobretudo a entender que a Igreja tem um papel determinante na construção de uma consciência social coletiva, que há um cristianismo pleno que se vive, que é olhando para os outros que se realiza”, concluiu.

D. Manuel Martins foi agraciado com a grã-cruz da Ordem de Cristo, durante as comemorações do 10 de junho de 2007, em Setúbal, e com o galardão dos Direitos Humanos da Assembleia da República, a 10 de dezembro de 2008.

Em maio de 2015, o bispo emérito foi condecorado com a medalha da Ordem de Timor-Leste, pelo papel que teve na restauração da independência deste país, e mais recentemente, em março deste ano, o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou também o seu percurso de vida.

JCP / Ecclesia (http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/setubal-marcelo-rebelo-de-sousa-destacou-d-manuel-martins-como-figura-que-corporizou-sem-limite-a-atencao-pelos-pobres-e-injusticados/)

Foto: Ricardo Perna

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